A Editora Imaginário é, atualmente, a principal editora de livros de temática libertária no Brasil. Fundada em 1984, ela possui papel fundamental na socialização do conhecimento das diversas teorias, movimentos e momentos históricos envolvendo o campo anarquista. Sem suas edições, e traduções feitas pelo companheiro por trás da editora, com certeza o acesso a muitas informações ainda estaria indisponível em língua portuguesa.

Comemorando, em 2014, 30 anos de publicações, recentemente, a Imaginário deu início a uma série de lançamentos de obras anarquistas ou relacionadas com o tema. Nesta postagem, fazemos um resumo dos últimos lançamentos e dos que serão lançados até os próximos meses.

Todas as informações aqui resumidas foram retiradas da página do facebook da Editora Imaginário. As datas de lançamento dos livros podem e provavelmente sofrerão alterações.

Lançamentos para 2014

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Autor: Itinéraire
Título: Durruti – Da Revolta à Revolução
Lançamento: fevereiro de 2014

“Tal é nossa ambição: apresentar Durruti, sua trajetória militante e humana, antes e durante os acontecimentos de julho de 1936. Contar a sua vida, e, através de sua experiência, fixar o cenário de um grande momento revolucionário, ao qual quisemos dar um rosto. Trata-se de reinscrever a Revolução Espanhola num itinerário individual, trata-se de ilustrar o tipo de revolução pelo qual nós lutamos, revolução resultante da ação consciente e voluntária de indivíduos tais como nosso companheiro Durruti.” (contra-capa do livro)

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Autor: Célestin Bouglé
Título: A Sociologia de Proudhon
Lançamento: fevereiro de 2014

“O socialismo governamental é a besta do Apocalipse para Proudhon; se ele detesta o comunismo, é porque sua aplicação suporia uma imensa maquinaria de Estado, muitos aparelhos de coerção, todo um arsenal de leis, decretos e regulamentos. Ora, a democracia não parece ter por missão restituir ao Estado uma nova juventude? “A democracia é a ideia do Estado ampliada ao infinito.” Ela não multiplica, para a coletividade, os pretextos ao mesmo tempo que os meios de “intervir”, isto é, enfim mecanizar a pessoa humana? A doutrina do governo pelo povo e para o povo contribui para subordinar uma vez mais, e mais do que nunca, a economia política à política, quando, enfim, seria hora de subordinar a política à economia política. Neste sentido, um estatismo popular constitui o último obstáculo, mas não o menos elevado, ao estabelecimento espontâneo da ordem simultaneamente liberal e igualitária que é o sonho de Proudhon. Eis por que ele se voltará com toda a sua energia contra as instituições, contra as aspirações, contra as ilusões da democracia.” (contra-capa do livro)

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Autor: vários
Título: Educação Libertária – Teoria e Prática em Educação Libertária
Lançamento: março

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Autor: Pierre-Joseph Proudhon
Título: Solução do Problema Social
Lançamento: fevereiro/março de 2014

“A República transformada em uma democracia doutrinária; o empirismo e a utopia tomando o lugar das ideéias e fazendo do Povo uma matéria para experiências; pequenos homens, pequenas idéias, pequenos discursos; a mediocridade, o preconceito, a dúvida, logo, talvez, a cólera. A vontade do Povo, que deveria engrendecer seus líderes, torna-os menores. Esperava-se desses magistrados improvidados, transportados nas asas da Revolução, que eles trouxessem de volta a segurança: semeiam o pavor; – que fizessem a luz; criam o caos; – que soubessem precisar a questão, dizer o que o Povo quer e o que não quer: nada firmam, deixam que se creia em tudo, fazem com que se tema tudo.” (contra-capa do livro)

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Autor: Errico Malatesta
Título: Anarquistas, Socialistas e Comunistas
Lançamento: março/abril de 2014

“A marca essencial do socialismo é que ele se aplica de uma maneira igual a todos os membros da sociedade, a todos os seres humanos. Isto implica que ninguém possa explorar o trabalho de outrem graças à monopolização dos meios de produção; que ninguém possa impor sua própria vontade a outros por meio da força bruta ou, o que é pior, graças à monopolização do poder político; a exploração econômica e a dominação política são os dois aspectos de uma mesma realidade, a sujeição do homem pelo homem, e só podem se resolver uma pela outra.

Para alcançar o socialismo e consolidá-lo, é preciso necessariamente, portanto, um meio que não possa ser, ele também, uma fonte de exploração e de dominação, e que conduza a uma organização capaz de corresponder o máximo possível aos interesses e às preferências, variadas e mutáveis , dos diversos indivíduos e grupos humanos. Tal meio não pode ser a ditadura (monarquia, cesarismo etc.) visto que ela substitui a vontade e a inteligência de todos pela vontade e pela inteligência de um único ou de alguns indivíduos; tende a impor a necessidade de uma força armada para coagir os recalcitrantes à obediência; faz surgir os interesses antagônicos entre a massa e aqueles que estão próximos do poder, e resulta no triunfo da revolta ou na consolidação de uma classe de governantes que, evidentemente, torna-se também uma classe de proprietários.” (contracapa do livro)

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Autor: Hugues Lenoir
Título: Compêndio de Educação Libertária
Lançamento: março/abril de 2014

“Educação e sindicalismo revolucionários estão indefectivelmente ligados em um mesmo projeto – aquele de uma classe operária culta porque emancipada, emancipada porque culta. Trata-se, em todas as circunstâncias, de proporcionar ao operário o acesso à Ciência de sua infelicidade para que ele apodere-se dela, inverta-a e faça dela o instrumento de transformação social e de sua felicidade. Essa afirmação permanente de educar para emancipar aparece como um fio rubro-negro norteador desde o início da atividade do sindicalismo de ação direta. Tanto numa abordagem histórica, como por meio das obras de Albert Thierry e Marcel Martinet, ou por meio das realizações concretas dos militantes da C.N.T. espanhola nos anos 30, parece-me hoje possível afirmar que, para essa corrente do sindicalismo, não pode haver sindicalismo sem educação, assim como não pode haver educação sem sindicalismo.” (da orelha do livro)

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Autor: Diversos
Título: Revista Libertários Nº3 – Arte e Anarquia
Lançamento: 1º semestre de 2014

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Autor: Hugues Lenoir
Título: Autogestão Pedagógica e Educação Popular
Lançamento: abril/maio de 2014

“Mas porque, então, os anarquistas, mais do que outras correntes do socialismo, sempre se interessaram pela educaçõa? Este curto texto propõe-se a trazer, não uma resposta exaustiva, mas alguns elementos de reflexão relativa a essa questão central nas práticas e nas teorizações libertárias.

A primeira razão desse interesse permanente é a inscrição do movimento libertário numa tradição humanista radicar e filosófica na filiação de Rabelais, Montaigne, Rousseau, Pestalozzi, Condorcet, Godwin etc., na sequência, numa reflexão educacionista engajada por Fourier, Considérent, Le Français etc., o que teve por consequência direta que a maioria dos teóricos anarquistas interessou-se pela educação e produziu em relação a ela algumas reflexões como o fizeram Proudhon, de início, depois Bakunin, Kropotkin, Reclus e muitos outros. Tradição intelectual e revolucionária que deu lugar a fortes reflexões pedagógicas tais como aquelas de Guillaume, Pelloutier, Thierry, Robin, Faure, Ferrer e as significativas realizações emblemáticas como o orfanato de Cempuis, La Ruche, as Escolas Modernas ou outras menos conhecidas como as escolas libertárias de Hamburgo ou L’Avenir Social animada por Madeleine Vernet. Tradição e interesse jamais desmentidos, e que perdura até hoje com a escola Bonaventure, há alguns anos, o Liceu Autogerido de Paris (LAP) ou a Dionyversité em Saint-Denis hoje.” (contra-capa do livro)

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Autor: Jean Bancal
Título: Proudhon e a Autogestão
Lançamento: abril/maio de 2014

“A leitura deste texto põe em evidência a total oposição de Proudhon tanto ao estatismo governamental como ao liberalismo burguês.

A recusa de todo dogmatismo, de toda doutrina erigida como “sistema completo e definitivo”, a evidenciação da “pluralidade dos elementos” constitutivos do “mundo físico” amiúde conduziram leitores superficiais a acusar Proudhon de contradições. Raros foram aqueles que compreenderam a unidade que liga a imensa obra que ele legou-nos.

É essa unidade lógica que se descobrirá nas páginas que se seguem.

Sem dúvida, o caráter antidogmático, relativista, pluralista de Proudhon terá perdido neste condensado. Não se pode conservar em uma centena de páginas a integralidade das idéias exprimidas em 38 volumes (sem contas os 16 de correspondência, os artigos de jornais, os carnês…).

Todavia, não era essa a tarefa à qual o próprio Proudhon queria aplicar-se quando escrevia a seu amigo Bergmann: “Sonho em resumir-me e dizer em poucas palavras, com clareza e simplicidade, o que quero, o que creio, o que sou” (Carta de 14 de maio de 1862)? – Groupe Fresnes-Antony” (contra-capa do livro)

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Autor: Mikhail Bakunin, Élie Reclus, Sébastien Faure e André Lerulet
Título: Essência da Religião e Outros Escritos
Lançamento: maio/junho de 2014

“Mikhail Bakunin (1814 – 1876) – Um dos mais importantes teóricos do Anarquismo, o pensador russo foi um implacável inimigo do Estado e da Igreja, e defensor intrensigente da liberdade e da igualdade social.

André Lorulot (1885 – 1963) – Propagandista do anarquismo individualista, depois livre pensador. Participa com Manuel Devaldés no Réveil de L’Esclave (1920-25), mas logo fundamenta seu combate ao anticlericalismo com a publicação de diversos jornais L’Antireligieux (1921-25), depois L’Action antireligieuse (1925); La Libre pensée (1928); La Calotte (1930). ENgala-se em 1921 na Fedération des Libres Penseurs, da qual será um infatigável orador. Em 1958, será nomeado presidente da Fédération Nationale des Libres Penseurs, depois vice-presidente da Union Mondiale.

Élie Reclus (1827 – 1904) – Jornalista, etnólogo e anarquista francês, irmão do grande geógrafo igualmente anarquista Élisée Recls, Élie teve um papel de destaque na defesa das etnias minoritárias.

Sébastien Faure (1858 – 1942) – Importante figura do anarquismo francês. Foi seminarista antes de ser livre-pensador, e socialista do Partido Operário antes de tornar-se anarquista em 1888. EM 1904 cria, próximo a Rambouillet, uma escola libertária “La Ruche” (A Colmeia). Ela não cessou de desenvolver-se até que a 1ª Guerra Mundial a obrigasse a encerrar suas atividade em 1917.” (da orelha do livro)

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Autor: Maurice Joyeux
Título: Reflexões sobre a Anarquia
Lançamento: indefinido

“Creio ser possível uma civilização socialista libertária, sob condição e que ela nasça de um choque brutal, d um corte radical, de um recomeço sem fraqueza, de uma transformação total da economia e das estruturas que imporão uma moral de comportamento libertário. Não ignoro que estamos longe disso. As sociedades de abundância geraram apatia, ansiedade, resignação; a burquesia suscita uma mentalidade mesquinha que grangrena todas as camadas da população.
(…)

“A democracia liberal permite escolher”, declara, virtuoso, o educador. Isso é uma piada! A escolha é simples: a vida planejada pela elite no poder, a marcha prudente entre os pregos, ou então, a revolta com os riscos que ela comporta.
(…)

Transformar uma civilização é destruir seus alicerces, espalhar o sal sobre a ferida aberta, construir com um material novo, rejeitar os “arranjos” dialéticos ou outros quaisquer.” (da contra-capa do livro)

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Autor: Grupe Kas-les Murs
Título: Prisão e Anarquia – Desvio em Sociedade Libertária
Lançamento: indefinido

“A presente obra retranscreve intervenções exprimidas durante o debate Prisão e Anarquia, organizado em Paris, em 28 de setembro de 1991, pelo grupo que se encarrega do programa “Ras-les-murs” na Rádio Libertaire, em Paris. A discussão que se segue é o gruto de uma reflexão engajada há vários anos por companheiros do movimento libertário e notadamente: Miguel Benasayang, Jacques Lesage de La Haye, Serge Livrozet, Gaetano Manfredonia bem como todos aqueles e aquelas que intervieram durante este debate.” (orelha do livro)

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Autor: Fritz Brupbacher
Título: Bakunin, o Satã da Revolta
Lançamento: fevereiro/março

poder

Autor: René Berthier
Título: Poder, Classe Operária e “Ditadura do Proletariado”
Lançamento: indefinido

principio

Autor: Pierre-Joseph Proudhon
Título: Do Princípio Federativo
Lançamento: indefinido

antinomias

Autor: Georges Palante
Título: As Antinomias entre o Indivíduo e a Sociedade
Lançamento: indefinido

medo

Autor: Eduardo Colombo, Ronald Creagh, Heloisa Castellanas e J. P. Garnier
Título: Políticas do Medo
Lançamento: maio/junho

sintese

Autor: Volin e Sébastien Faure
Título: A Síntese Anarquista
Lançamento: indefinido

anarquia

Autor: Sébastien Faure
Título: A Anarquia
Lançamento: indefinido

Últimos Lançamentos

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Autor: E. Armand, Euges Relgis e Manoel Devaldés
Título: Individualismo e Anarquismo
Lançamento: 2013

“Há poucas palavras que sejam mais diversamente interpretadas do que esta: “individualismo”. Por conseqüência, há poucas idéias mais mal definidas do que aquelas representadas por esse vocábulo. A opinião mais disseminada, e que as obras de ensino popular encarregam-se de confirmar, é que o individualismo é um “sistema de isolamento nos trabalhos e nos esforços do homem, sistema cujo oposto é a associação”.

Nisso é preciso reconhecer a concepção vulgar do individualismo. Ela é falsa e, além do mais, absurda. É verdade, o individualista é o homem “só”, e não se o pode conceber de outra forma. “O homem mais forte é o homem mais só”, disse Ibsen. Em outros termos, o individualista, o indivíduo mais consciente de sua unicidade, que melhor soube realizar sua autonomia, é o homem mais forte. Mas ele pode ser “só” no meio da multidão, no seio da sociedade, do grupo da associação etc., porque ele é “só” do ponto de vista moral, e aqui esta palavra é sinônima de único e autônomo. O individualista é, assim, uma unidade, em vez de ser como o não-individualista uma parcela de unidade.” (contra-capa do livro)

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Autor: Jan W. Makhaiski, Anatol Gorelik, Daniel Guérin, Ronald Creagh e Joel Gochot
Título: Marxismo e Ditadura
Lançamento: 2013

“O marxismo, pretensamente depurado do oportunismo da social-democracia, revela, contudo, seu velho pendor, próprio a todos os peroradores socialistas, a nutrir os operários com fábulas e não com pão. O marxismo revolucionário, comunista, retirado da poeira acumulada desde longas décadas, defende sempre a mesma utopia democrática: o poder absoluto do povo, conquanto este esteja mergulhado na servidão, na ignorância e na escravidão econômica.

Tendo obtido sua ditadura, e decidido a realizar um regime socialista, o marxismo bolchevista não se desfez do velho costume marxista de sufocar a “economia” operária pela “política”, distrair os operários da luta econômica e subordinar os problemas econômicos às questões políticas.” (contra-capa do livro)

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Autor: Fernand Pelloutier
Título: Anarquismo e os Sindicatos Operários
Lançamento: 2013

“Que os homens livres entrem, portanto, no sindicato, e que a propagação de suas idéias prepare ali os trabalhadores, os artesãos da riqueza, a compreender que eles devem cuidar de seus próprios interesses, e, em seguida, aniquilar, chegado o dia, não só as formas políticas existentes, mas qualquer tentativa de reconstituição de um novo poder. Isso mostrará aos autoritários quão justificado era seu temor, disfarçado em desdém, do “sindicalismo” e quão efêmera sua doutrina, desaparecida antes mesmo de ter podido afirmar-se!”

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Autor: René Berthier
Título: Do Federalismo
Lançamento: 2011

“Proudhon, em Do Princípio Federativo, diz que o sistema federativo é “o oposto da hierarquia ou centralização administrativa e governamental”. Como modo de organização, ele é a resposta anarquista ao Estado centralizado dos comunistas. Ele é a resposta ao estatismo e, desse modo, constitui a espinha dorsal da concepção libertária da organização. E na medida em que a organização das forças que devem abater o Estado constitui o modelo da sociedade que deve substituir-se a ele, o federalismo é simultaneamente a forma da associação dos produtores hoje e aquela que assumirá amanhã. A sociedade econômica de hoje contém em si mesma o princípio de sua organização futura.” (contra-capa do livro)

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Autor: Mikhail Bakunin
Título: Escritos contra Marx
Lançamento: 2011

“E a primeira palavra dessa emancipação só pode ser liberdade, não essa liberdade política, burguesa, tão preconizada e recomendada como objeto de conquista prévia pelo sr. Marx e seus acólitos, mas a grande liberdade humana que, destruindo todas as correntes dogmáticas, metafísicas, políticas e jurídicas pelas quais todo mundo se encontra hoje oprimido, devolverá a todos, coletividades tanto quanto indivíduos, a plena autonomia de seus movimentos e de seu desenvolvimento, libertos, de uma vez por todas, de todos os inspetores, diretores e tutores.

A segunda palavra dessa emancipação, é solidariedade; não a solidariedade marxiana, organizada de cima para baixo por um governo qualquer e imposta seja pela astúcia, seja pela força, às massas populares; não essa solidariedade de todos, que é a negação da liberdade de cada um, e que por isso mesmo se torna mentira, ficção, tendo por substituto real a escravidão; mas a solidariedade que é, ao contrário, a confirmação e a realização de toda liberdade, originando-se não em uma lei política qualquer, mas na própria natureza coletiva do homem, em virtude da qual nenhum homem é livre se todos os homens que o cercam e que exercem a mínima influência, direta ou indireta, sobre sua vida, não o são igualmente.” (contra-capa do livro)

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Autor: Eduardo Colombo
Título: Democracia e Poder – A Escamotização da Verdade
Lançamento: 2011

“A democracia não é mais um regime político; ela designa um conjunto de representações políticas, econômicas, ideológicas, organizacionais, que, em um recorte particular privado/público do social, contribuem para a — e ao mesmo tempo nutrem-se de — construção de singulares abstratos, indivíduos-átomos, anônimos e intercambiáveis. A divisão tradicional entre dominantes e dominados persiste como se fosse um dado de natureza do político, e coexiste, sem choques aparentes, com a soberania reconhecida e proclamada do povo. Flanqueada pelos direitos constitucionais e pelo sufrágio dito universal, a democracia, que agora integrou o liberalismo em seu campo — ou melhor, o inverso — é assimilada aos regimes capitalistas ocidentais. É assim que, no uso habitual, democracia tornou-se a designação genérica de uma forma do social instituído, resultado contrafeito do conflito de forças em luta no seio da modernidade.” (contra-capa do livro)

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Autor: Piotr Kropotkin, Ronald Creagh, René Berthier, Marco Cossauta e Enrico Ferri
Título: Justiça e Direito – Uma Abordagem Libertária
Lançamento: 2011

“A vindita popular organizada, denominada Justiça, é uma sobrevivência de um passado de servidão, desenvolvida, por um lado, pelos interesses das classes privilegiadas, e, por outro, pelas idéias do direito romano e por aquelas de vingança divina que fazem tanto a essência do cristianismo quanto suas idéias de perdão e sua negação da vingança humana.

A organização da vingança societária sob o nome de Justiça é correlativa na história com a fase Estado. Logicamente, também, ela é inseparável dele. O juiz implica o Estado centralizado, jacobino; e o Estado implica o juiz nomeado especialmente para exercer a vingança legal sobre aqueles que se tornam culpados de atos anti-sociais.

Emanada de um passado de servidão econômica, política e intelectual, essa instituição serve para perpetuá-lo. Ela serve para manter na sociedade a idéia de vingança obrigatória, erigida como virtude. Serve de escola de paixões anti-sociais nas prisões. Derrama na sociedade um rio de depravações que exsuda em torno dos tribunais e das prisões pelo policial, pelo carrasco, pelo alcagüete, pelo agente provocador, pelos bureaux para a alcagüetagem privada etc. — essa torrente crescente a cada dia. O mal excede em todo caso o bem que a justiça supostamente realiza pela ameaça de punição.” (contra-capa do livro)

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Autor: Mikhail Bakunin, Piotr Kropotkin, Maurice Joyeux, Paul Chauvet, Joël Delhom
Título: A Comuna de Paris – Considerações Libertárias
Lançamento: 2011

“Em 18 de março de 1871, o povo de Paris insurgia-se contra um poder geralmente detestado e desprezado, e proclamava a cidade de Paris independente, livre, pertencendo a si mesma.

Essa derrubada do poder central fez-se inclusive sem a corriqueira realização de uma revolução: nesse dia, não houve tiros de fuzil nem rios de sangue vertidos por trás das barricadas. Os governantes eclipsaram-se ante o povo armado, ocupando a rua: a tropa evacuou a cidade, os funcionários apressaram-se em fugir para Versalhes, levando com eles tudo o que podiam levar. O governo evaporou-se, como um charco de água pútrida, sob o sopro de um vento de primavera, e, em 19 de março, Paris, sem derramar o sangue de seus filhos, encontrou-se livre da imundície que empesteava a grande cidade.” (contra-capa do livro)